25.3.19

DOS TOMBOS SE FAZ O SUJEITO



As bebedeiras das ideias midiáticas de outrem parecem nos trazer a ilusão de eliminar os sentimentos de angústia quando entramos em contato com o estranho que nos habita. Falar em nome própria custa muito mais que alguns trocados na conta bancária; custa sustentar e se responsabilizar pelas consequências dos efeitos que se produz enquanto se conquista o espaço ao sol.

Não é possível ser alguém sozinho. A família, as amizades, as parcerias, o analista entre outros que partilhamos a vida, são peças fundamentais para a construção do que estamos nos tornando. Os que passaram em nossa vida e não puderam ficar, tiveram os seus ciclos e ficaram o tempo necessário para mostrar na prática o que Freud já havia cantado a letra: somos sujeitos castrados. Por sermos castrados, o poder sobre algo ou alguém se dissolve junto com o narcisismo que nos faz sofrer no contato com o amor. 

É no encontro do atrito da pele contra a pele, que construímos o mundo afetivo interno e externo. São as fantasias das expectativas que permitem que possamos ralar o coração, a pele e o corpo no encontro com o outro, com a existência para além da nossa própria íris. É através do toque e das relações com o outro, que aprendemos a compreender e sentir o nosso próprio mundo. 

Não é possível construir e aprender sobre si mesmo sozinho. Se faz preciso que o outro exista em sua singularidade, para que assim possamos tocar o mais íntimo de nós mesmos: o amor e o ódio são uma dessas vias. Muitas vezes amamos e odiamos o mesmo objeto em que endereçamos nosso interesse de vida. A luta é transformar o narcisismo em uma via possível para que o amor deslize e emita a sua linguagem nos corpos amantes. 

Os tombos se fazem necessários na construção de novas ideias, de novas rotas, de novos projetos e para o acesso do próprio inconsciente. No pior é que se constrói grandes ideias, grandes caminhos, e aprendemos a ser criativos com nossa própria vida. Transformando o nosso pior em ponte para que o nosso melhor possa renascer e pintar nossa história no mundo. 

Maicon Jesus Vijarva

17.3.19

SOBRE SABER E MATURIDADE



Em devaneios de pensamentos debato-me matutando quando é que iria ser maduro. A resposta: nunca. Não se trata de tornar-se maduro, mas desentulhar o caminho para que a experiência deslize e emita seus efeitos em nós. Não se trata de saber o que é a vida para começar a viver e alcançar a maturidade, mas tentar dizer para que se possa ser criativo ao viver a vida e seus efeitos.

A resposta que almejamos nunca virá, e se vir, não mais será suficiente para o tempo outro que já teremos alcançado. A maturidade é justamente a experiência do hoje, e alçamos ela vivendo entre o aprender errando e errar aprendendo.

A maturidade é desenvolvida pelo atravessamento da experiência bem-sucedida que o sujeito encontra na função materna e paterna. Quando não encontra esse ambiente citado anteriormente, o sujeito poderá contar com a sorte de topar pessoas que possam ocupar de forma satisfatória essas funções para poder acariciar as feridas e fazer das cicatrizes causa para continuar a existir e reinventar a própria vida.

O sucesso se alcança quando se aprende a fazer causa com o sofrimento, com a cicatriz que nunca será tampada com efeitos mágicos de pílulas e processos cirúrgicos. O sofrimento e dor podem ser a causa para grandes voos ou a ponta da lança direcionada a si mesmo. A luta nunca cessa. É preciso matar o leão por dia, porque ele não está na personificado na voz da imagem do outro e sim na projeção que fazemos do outro em nós.

Errar é importante e é o que nos leva a saber mais sobre o que estamos nos tornando. O saber é uma experiência e se transforma de acordo com os passos que oferecemos ao nosso inconsciente e, consequentemente, a nós mesmos.

Mais lidos da semana