6.11.18

DESCONSTRUIR O LUGAR IDEAL PARA IMAGINAR O FUTURO REAL


 

A vida se revela através das experiências que não se ensinam, mas que se vivem. Tem coisas que não se transmite. É preciso dar algumas trombadas para sentir mais fôlego pelo percurso. A história só acaba quando desistimos de contar as maluquices que nossa mente revolucionária inventa para que seja possível existir no real paralelo ao imaginário; um nobre ato de ousadia em persistir no caminho para que, de alguma forma, a fantasia quase-sempre possa se transforma em realidade.

Através da linguagem e não somente por ela, o sujeito convoca o inconsciente ao risco de se manifestar à consciência no seu êxito de ultrapassar o grande outro. A criança guiada pela imagem numa experiência catastrófica de deus-nos-acuda constitutivo faz-saber das invenções criativas dos significantes da verdade que através do ato traz à luz a possibilidade de ouvir do lugar que fala[falta]: dissolver o ideal do adulto numa desconstrução lúdica regada pelos contos de fadas ou mitos.

A tentativa imaginária pelo real é de reeditar a própria estória, de maneira a reduzir os atritos psíquicos da experiência entre a fantasia e a realidade e os seus efeitos no mundo real interno e externo; é uma maneira de reconhecer, respeitar e desconstruir o lugar ideal que desde a infância aprende-se a sustentar na estrutura psíquica.

É desse dinamismo que nasce a rasura do discurso conservador e a possibilidade de uma invenção em fazer-saber do não-lugar da falta e do vazio que inspira ou expira o ser do sujeito atravessado dessas transformações externa e interna do subjetivo no contato com o coletivo que produz inconsciente: a psicanálise se interessa justamente pelo que esgota desse atrito povoado de horror e efeitos caóticos.

Logo, a experiência se apresenta como testemunho de uma desconstrução necessária do lugar de ideal, para que a falta e o vazio possam existir permitindo circular maior variedade de significações, sabores e dissabores que a vida pode nos oferecer.

Tem coisas que não se transmite, aprende na experiência de viver.



Abraços,
Maicon Vijarva

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos.

Mais lidos da semana