15.11.18

A ANÁLISE CONDENA O SER À SINGULARIDADE


A experiência de estar em análise é compreender sem julgamentos, o quanto é difícil juntar as peças do quebra-cabeça de uma mente inundada de desamparo, horrores e assombros de culpa e remorso por ter falhado consigo mesmo e com o outro, e mesmo assim continuar a sustentar essa imensidão pagando o preço da singularidade, do próprio estilo.

Nesse contexto é fácil de entender a razão de muitos procurarem comprimir a dor de sua existência em medicamentos que regulem o que o constitui diferente no mundo: dor, sofrimento, ansiedade, euforia e agitação. A incapacidade do a-colhimento do próprio estilo do sintoma é um prato cheio para que o outro faça o que quiser com nossa mente e corpo.

Insistir em dizer que o outro não tem poder sobre nosso desenvolvimento é negar a própria castração. Dependemos do outro para existir, mas até certa medida. Qual o tamanho dessa medida? Busque no trabalho de análise. A única certeza é que vai ter que trabalhar muito para compreender o que lhe causa vida.

Todos somos castrados simbolicamente, e saber disso nos liberta da incompetência em demandar algo a alguém ou acatar uma demanda sem questionamento. A ignorância da própria ilusão é prazerosa por emburrecer e desresponsabilizar o sujeito frente a sua existência. A tragédia do ser humano é acreditar que seja possível tamponar o vazio e a falta que o constitui sujeito.

Abraços, 
Maicon Vijarva

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