28.8.18

SOBRE O AMOR



AMAR é se mover na pele do outro na tentativa de criar laços, para dilatá-lo na palavra-corpo: nós. Mas é sucinto desenhar nessa experiência, o zelo de reconhecer que se faz próprio deixar que o outro possa existir para que o amor faça sua existência nesse corpo que se reinventa no atrito do elo. É desse deixar que o amor nasce, mas traz em si a frustração de nunca poder fazer do outro uma morada, corpo único.

O amor é um cavalo indomável que precisa viver na pluralidade, para que possa existir na singularidade do corpo. Saber sobre amor não garante que se saiba amar, dizer o que possa vir a ser amor é a tentativa de tornar o mundo menos caótico, porque até falar de amor sintetiza o outro em nós, fazendo circular que o desejo de poder fazer do outro uma casa, embora seja um lar acolhedor, nunca se realize [o desejo realizado dissolve o amor no limbo do infinito, sufocando-o em si mesmo].

A análise promove justamente fazer-saber sobre nossa insignificância, ignorância e impossibilidade de ser humano que tudo pode. O sujeito pode muitas coisas, mas não tudo. Uma delas é nunca saber quem amar, como amar e quando amar.

Trata-se de resignificar o horror do outro oferecendo um espaço acolhedor dentro de nós, possibilitando significado outro ao que nossos olhos repudiam no objeto que endereçamos o nosso amor e ódio. A dinâmica do amor não é justa, ela desconstrói e nos deixa vulneráveis, convocando a observar por fora o quanto somos inquilinos de nós mesmos e do mundo do outro.

Abraço,
Maicon Vijarva

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