terça-feira, 12 de dezembro de 2017

ANGÚSTIA DE SUSTENTAR UMA ANÁLISE


A psicanálise é para todo ser humano que excede, que transborda os próprios limites e, numa obsessão desmedida, o limite do outro. O amor e desejo estão presentes nessa disputa de amor e ódio. Ama-se e odeia-se o mesmo objeto de desejo. 

A obviedade de se ouvir muito sobre amor na análise às voltas do ódio, do ressentimento, da amargura são próprio da singularidade de viver tal amor rodeado de sofrimento que antecede o presente. Trata-se de um passado que ainda persiste em se desenhar no presente, pulsante [...] vivo. Que atuará como um superego invejoso diante das novas configurações afetivas.

Não há uma receita que possa autorizar o sujeito a se haver com seus sofrimentos, eliminando-os de forma permanente.  A angústia de uma análise é construir [sem recurso nenhum] algo a partir de uma perda. É deixar de sustentar um ideal para redescobrir novos meios para se reinventar.

A angústia é um sentimento intenso e muito presente no trabalho analítico. O osso é duro de ser roído, por estar diante da impossibilidade de ser possível ser feito algo a respeito. No entanto, é atravessado pelo acolhimento da escuta do analista que o analisante sente-se o mínimo de segurança possível para encontrar em seus próprios insights ferramentas que o possibilite a ultrapassar os semblantes que o impedem de se constituir como singular.

O preço que se paga na análise não é o valor investido nela, mas trata-se mais, ainda. Os efeitos de uma sessão analítica podem durar dias, semanas e meses. A psicanálise implica que o sujeito se responsabilize por seu sofrimento, por sua escolha, por como deseja gozar. Se dá conta ou não do que se propõe. Se é viável ou não.

A análise psicanalítica é viajar diante do mar aberto com uma única ferramenta: a bússola. E saber utilizá-la é o que fará toda a diferença frente ao acaso e surpresas que esperam por cada sujeito em sua singularidade.

Pode-se planejar muito, mas é preciso saber que existe uma força que rompe planos, trajetórias e devastam ideias. É a partir da devastação que a vida dá autonomia para o sujeito se reinventar. Por isso, não se prenda aos ideais culturais, convencionais e conservadores.

Há dois caminhos na vida. Ser irresponsável com o próprio desejo e inconsciente, gozando de forma desastrosa ou ser responsável com o seu desejo e inconsciente, percorrendo um caminho que beira a loucura, ao desespero e angústia. Mas que o leva cada vez mais próximo do que possa ser o seu destino, com uma forma singular de contribuir com ele.


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário e compartilhe com seus amigos.