quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A FALTA DE EMPATIA NOS TORNA SUJEITOS DOENTES


A falta de empatia frente à singularidade do outro, nos torna sujeitos doentes em uma sociedade psicótica. Há quem acredita que é preciso encorajar os que estão vivendo a sua maneira e medida [tempo] a viver algo outro, que seja menos doloroso para nossos olhos, pela incapacidade de reconhecer o estranho [dentro], que também está no outro, mas, que no caso está a olho nu. 

O humano vive insistentemente [de forma neurótica], querendo encontrar uma palavra para nomear o que é inominável e, por assim ser, causa: medo, angústia e desejo. A doença dos tempos presentes está na dificuldade em lidar com a frustração e a beleza da singularidade do não-todo, que é impossível de esquadrinhar ou enquadrar.

Faz-se necessário deixar que o outro possa ser em sua totalidade [até as últimas consequências], para que ele por si mesmo possa construir um saber-não-todo do próprio percurso. Quer-se muito do outro, que ele seja sempre algo que não se é. No caso do suicídio e depressão nível hard, todos querem que o sujeito seja positivo, que seja forte, que seja qualquer outra coisa, menos que seja ele mesmo em sua difícil amargura de criar um saber diante disso. 

A questão é simples, ao invés de dar caminhos, ofereça ambiente e suporte a demanda que pode se inscrever a partir disso. Poucos se manterão presentes, melhor que seja assim. Muita gente tentando fazer o mesmo cria abismo. A sociedade é um bom exemplo, senão excelente.

Sejamos o mais próximo do real ao tocar na dor do outro. Que se possa oferecer ambiente para que esse outro que sofre possa falar sem medo de retaliações. E, quase sempre, isso só é possível num trabalho de análise, que é osso duro de roer. 

Que possa existir mais apoio aos que sofrem, oferecendo sempre autonomia. Estar triste, insatisfeito e infeliz em certos momentos da vida não torna ninguém menor que qualquer outro. A proposta é criar um saber diante disso e poder fazer melhor com o que causa dor, angústia e sofrimento. A vida é isso, salvos os momentos que criamos felizes para sustentar toda uma vida de altos e baixos.

O amor está em oferecer a mão, deixando que o outro possa por si mesmo acessar o seu interior e aos poucos reconhecer sua trajetória com bons olhos.


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

TRÍADE DA VIDA



O passado
Se envolve com 
O presente 
Na mesma
intensidade que 
O futuro se envolve 
Com o passado.

O presente só é
O caminho para o sujeito
Fazer melhor [ou não] com a 
Forma com que 
Goza sua vida,
Sempre se havendo
Com a responsabilidade


Do passo dado.

Maicon Vijarva
2017/12/19

A BUSCA ANALÍTICA



Situado numa poltrona, 
Penso, quando não quero...
Rasgado por dentro, 
Quase ou sempre 
Não encontro palavras
Para situar-me através 
Da escuta do que me falta.

Falo para que um dia
Eu possa ouvir e recalcular 
A rota, a minha rota.

Sempre há algo em mim
Que me ultrapassa, 
surpreende e me faz desejar
Mais, ainda o que desconheço.

Sou exatamente o que 
Não posso descrever...
Repito para fazer algo novo 
Do que me falta.

Sigo sempre tentando 
Fazer novo algo que do
Passado me faz causa.

Maicon Vijarva
2017/12/19

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

ANGÚSTIA DE SUSTENTAR UMA ANÁLISE


A psicanálise é para todo ser humano que excede, que transborda os próprios limites e, numa obsessão desmedida, o limite do outro. O amor e desejo estão presentes nessa disputa de amor e ódio. Ama-se e odeia-se o mesmo objeto de desejo. 

A obviedade de se ouvir muito sobre amor na análise às voltas do ódio, do ressentimento, da amargura são próprio da singularidade de viver tal amor rodeado de sofrimento que antecede o presente. Trata-se de um passado que ainda persiste em se desenhar no presente, pulsante [...] vivo. Que atuará como um superego invejoso diante das novas configurações afetivas.

Não há uma receita que possa autorizar o sujeito a se haver com seus sofrimentos, eliminando-os de forma permanente.  A angústia de uma análise é construir [sem recurso nenhum] algo a partir de uma perda. É deixar de sustentar um ideal para redescobrir novos meios para se reinventar.

A angústia é um sentimento intenso e muito presente no trabalho analítico. O osso é duro de ser roído, por estar diante da impossibilidade de ser possível ser feito algo a respeito. No entanto, é atravessado pelo acolhimento da escuta do analista que o analisante sente-se o mínimo de segurança possível para encontrar em seus próprios insights ferramentas que o possibilite a ultrapassar os semblantes que o impedem de se constituir como singular.

O preço que se paga na análise não é o valor investido nela, mas trata-se mais, ainda. Os efeitos de uma sessão analítica podem durar dias, semanas e meses. A psicanálise implica que o sujeito se responsabilize por seu sofrimento, por sua escolha, por como deseja gozar. Se dá conta ou não do que se propõe. Se é viável ou não.

A análise psicanalítica é viajar diante do mar aberto com uma única ferramenta: a bússola. E saber utilizá-la é o que fará toda a diferença frente ao acaso e surpresas que esperam por cada sujeito em sua singularidade.

Pode-se planejar muito, mas é preciso saber que existe uma força que rompe planos, trajetórias e devastam ideias. É a partir da devastação que a vida dá autonomia para o sujeito se reinventar. Por isso, não se prenda aos ideais culturais, convencionais e conservadores.

Há dois caminhos na vida. Ser irresponsável com o próprio desejo e inconsciente, gozando de forma desastrosa ou ser responsável com o seu desejo e inconsciente, percorrendo um caminho que beira a loucura, ao desespero e angústia. Mas que o leva cada vez mais próximo do que possa ser o seu destino, com uma forma singular de contribuir com ele.


domingo, 3 de dezembro de 2017

CRESCER


Que sentimento estranho que é intuir que se está crescendo. Há inúmeras formar de evitar a inundação do crescimento. Talvez, o mais comum, seja seguir o fluxo sem se questionar sobre o percurso que vai se mostrando em milésimo de segundo.

A vida é apostar tudo numa ideia que inspira, que dá fôlego à esperança, saboreando o gosto agridoce da angústia de perder tudo. Freud em Mal-Estar na civilização já desenhava uma ideia do quão é difícil compreender a própria dinâmica para os que foram um pensamento bem refletido e gerado às volta do amor, e o quão mais, ainda é para os que foram um pensamento mau refletido e pensado às voltas da pressa e insegurança.

Crescer é insistir, recordar, repetir até chegar ao  entendimento de uma molécula da elaboração que convocando ao crescimento. É processo de longo prazo, longas experiências, que vão nutrindo e constituindo um saber a respeito de nós mesmos.